Paraná – No domingo (24), quando o novo valor das tarifas cobradas pela Copel passar a valer, a indústria de transformação será o setor que mais sentirá o impacto do aumento de preços: enquanto o consumidor residencial pagará faturas 15,06% mais caras, o usuário de alta tensão receberá uma conta 17,55% maior. Mas se engana quem pensa que o efeito do reajuste – autorizado acima da inflação, por considerar os insumos e dados específicos do setor – ficará restrito ao aumento na própria conta de luz. Um efeito em cadeia, com repasse de custos ao consumidor, terá início.

No Paraná, a indústria representa 75 mil unidades clientes da Copel – já foi bem mais, mas muitas estão saindo do mercado cativo de energia, aquele em que o consumidor não tem direito de escolher de quem comprar o serviço – frente as 3,7 milhões de unidades residenciais. Contudo, enquanto as casas usam 23,7% da energia vendida pela estatal, o setor industrial consome 37,6% do que é comercializado pela empresa.

“Gastadora” em larga escala, a indústria sentiu mais profundamente a sequência, ano a ano, de reajustes pesados no preço da energia elétrica. Algumas, que são chamadas de eletrointensivas, comprometendo uma fatia maior do custo de produção, foram mais fortemente impactadas. Para a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), as empresas da área de metalurgia, têxtil e de produtos de madeira são as que o reajuste terá maior peso nas despesas. De acordo com João Arthur Mohr, consultor de Infraestrutura da Fiep, os custos mais altos serão repassados aos valores dos produtos, gerando um efeito em cadeia.

Os reajustes anteriores e a perspectiva de que o preço da energia vai subir mais 40% nos próximos sete anos, levaram muitas indústrias a buscarem alternativas. Além de apostar em eficiência energética, reduzindo o volume de consumo, a primeira opção tem sido a autogeração – ou seja, investir em sistemas que permitam o uso, por exemplo, de restos da própria produção para ter uma fonte de energia. É o caso da biomassa na indústria madeireira.

Quem não consegue virar um produtor energético, pode investir na associação com fazendas solares, parques eólicos e outros tipos de geração renovável. A terceira opção que tem sido usada pelas indústrias que querem fugir do mercado cativo é a compra de energia no mercado livre. Essa alternativa está disponível, em linhas gerais, apenas para quem gasta mais de R$ 100 mil por mês com energia elétrica.

É o caso da Adesi, fábrica de embalagens em Araucária. Ao migrar para o mercado livre, conseguiu reduzir consideravelmente os gastos. O Diretor-superintendente da empresa, Jacinto Cianfarano conta que a despesa ficava em R$ 140 mil por mês e caiu para R$ 100 mil. “Foi um ótimo negócio”, comemora. Para ele, uma das principais vantagens é trabalhar com a previsibilidade dos custos. Para fundir papel e plástico, produzindo embalagens impermeáveis, a indústria depende de um maquinário pesado, que consome muita energia.

De acordo com Fernando Umbria, diretor de Operações da Electra Energy, esse movimento de migração aumentou 200% entre os compradores de médio porte, a partir de 2015, motivados pelo preço da energia. O tamanho da economia depende muito do tipo de contrato e das condições de cada empresa, mas, em média, a energia comprada no mercado livre fica 20% mais barata. Para Mohr, apostar em uma solução para o setor é essencial para manter a competividade da indústria nacional.

“Esses reajustes, em geral representam um grande problema para o custo da energia no Brasil, que já tem a quinta energia mais cara do mundo”, comenta. Uma das medidas tomadas pelo setor industrial é pressionar o governo federal, mas principalmente o Congresso, para mudar alguns aspectos do sistema energético, buscando a redução de impostos e da carga de subsídios, por exemplo, que representam metade do preço da energia.

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